terça-feira, 23 de março de 2010

Descobrindo Manoel de Barros

Ao me debruçar sobre o poema "O apanhador de desperdícios" me dei conta de que sou melhor em apreciar silenciosamente do que em comentar. Saí em busca de inspiração... Quem sabe, conhecer um pouco mais o poeta não me ajuda a interpretar o poema? Deparei-me com o seguinte trecho do livro Memórias inventadas: a infância, escrito por Manoel de Barros. Foi irresistível não compartilhá-lo com meus "comparsas", ainda que não seja novidade para muitos além de mim...

''Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. (...) Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos (...).''

A inspiração veio, talvez não para a interpretação do poema, mas para minha vida...

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