A leitura de "Odisséia", de Carlos Drummond de Andrade, fez-me pensar em algumas coisas, que procurarei apontar a seguir:
- O início do texto, escrito em letras maiúsculas, chamou-me a atenção e deu-me a sensação de partida, o que me remeteu ao título "Odisséia".
- No trecho "Cercaram sua casa de madrugada, meteram-lhe a cabeça num saco preto, conduziram-no a um morro que dava para o abismo, interrogaram-no, bateram-lhe, ameaçaram jogá-lo no precipício, jogaram. (...) aplicaram choques elétricos, arrancaram-lhe as unhas, os dedos..." lembrou-me o período da ditadura e todos aqueles que sofreram tortura.
- Na tentativa de subjugar o amor, este tornou-se mais forte e sua influência mais sutil. No início parecia mais grosseiro ("foi à função, bebeu, cantou e bailou, estava muito excitado..."), tornando-se imediatamente mais ameno ("...cantou e bailou sem beber, e era sempre primavera nos seus modos e falas..."), culminando em total "pureza" ("...virou um sonho, uma constelação, uma rima...").
- O trecho "ressuscitou ao terceiro dia" remete-me à ressucitação de Jesus.
- Uma passagem intrigou-me, mas não consegui pensar em nada que estabelecesse relação com ela: "jogavam-lhe moedas que ele não apanhava, gerânios que ele oferecia às crianças e às mulheres".
Um comentário:
Rosa,
você percorreu o poema e foi registrando, de modo sensível, sua interpretação de várias passagens, mas como você articula esses fragmentos em uma compreensão mais global do poema?
Beijos,
Mazé
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