Para Castilho tais variações acontecem porque locutor e interlocutor atuam em diferentes espaços, quais sejam:
- espaço geográfico - é representado pelos diferentes dialetos
- espaço social - leva em conta a variável sociocultural do falante (uso da variedade padrão pelas pessoas escolarizadas e não padrão pelas não alfabetizadas ou com pouca escolarização), o grau de intimidade com o interlocutor (expresso através do registro formal ou informal), a idade e o sexo (socioletos).
- espaço temático - a variação linguística pode decorrer do assunto tratado, que pode ser mais especializado fazendo-se necessário o uso do Português técnico, ou mais coloquial, permitindo o uso do Português corrente.
- espaço temporal - representa as variedade diacrônicas.
- variação diatópica - corresponde ao "espaço geográfico" e também é representado pelos diferentes dialetos.
- variação diastrática - equivale ao "espaço social" apontado por Castilho, mas leva em consideração somente o nível sociocultural dos indivíduos.
- variação diacrônica - corresponde ao espaço temporal. Um caso muito particular desta variação é a gramaticalização (quando uma palavra de sentido pleno assume funções gramaticais) e a lexicalização (processo inverso da gramaticalização).
- variação diamésica - trata da variação associada ao uso de diferentes meios ou veículos. É algo que não foi apontado por Castilho e trata das diferenças que se observam entre a língua falada e a língua escrita. Trata, também, dos gêneros discursivos (todos os tipos de textos que veiculam cotidianamente). Segundo Ilari, "conforme o gênero a que pertencem, os textos, sejam eles falados ou escritos, apresentam um vocabulário e uma gramática próprios". (ILARI, 2009, p.185)
CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Saber um língua é separar o certo do errado? Disponível em: http://www.poiesis.org.br/files/mlp/texto_16.pdf Acesso em 04/outubro/2009
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. Português do Brasil: a variação que vemos e a variação que esquecemos de ver. In: O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 151-196.
Um comentário:
Rosa,
boa síntese!
Beijos,
Mazé
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