terça-feira, 4 de maio de 2010

UMA HISTÓRIA DO DISCURSO ESCRITO: DA MNEMÔNICA ÀS REPRESENTAÇÕES

A leitura do texto de David Olson foi bastante interessante. Ele trata do desenvolvimento dos recursos gráficos e léxicos,  "destinados a especificar os sentidos visados na escrita, e como isto tornou possível a noção de que um texto pode representar a intenção do autor, em vez de funcionar meramente como um recurso mnemônico para recordar tal intenção".
Fiquei particularmente surpresa em descobrir como se deu essa passagem e o esforço, no sentido de exercício intelectual, que o autor fazia para "dar a palavra" ao texto, como explica Olson:
"Esperava-se inicialmente da escrita que captasse a voz; a escrita falaria para os leitores. [...] A princípio, a escrita procurava emular a fala. Concebia-se o conteúdo do que era escrito como 'algo que está sendo dito em voz alta, e não registrado ou afirmado em silêncio [...]. Assim, muitas inscrições antigas 'falam' a quem as lê. As legendas num objeto físico podiam dizer: 'Sou a taça de Nestor' [...]." (OLSON, 1997, p. 199)
Uma outra passagem que achei bem interessante diz respeito ao modo de ler da Idade Média e à forma como as crianças fazem quando estão no processo de aprender a ler:
"Na Idade Média, a leitura era primordialmente em voz alta: reconstituir a voz era essencial para captar o sentido pretendido. Dom Leclercq escreveu: '[...] na Idade Média, como na Antiguidade, lia-se habitualmente não como hoje - principalmente com os olhos - , mas sim com os lábios, pronunciando-se o que se via, e com os ouvidos, ouvindo as palavras pronunciadas: escutando o que foi chamado de 'as vozes das páginas' (1961, p.18-9)". (Idem, p. 200-201)
Vale a pena ler esse texto!!!

OLSON, David R. "Uma História do Discurso Escrito: da Mnemônica às Representações", in: O Mundo no Papel - As implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo: Ática, 1997, p. 195-210

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